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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Prémio BANG! – Literatura Fantástica


Quem promove: Edições Saída de Emergência.
Objetivo: Distinguir, exclusivamente na área do romance, uma obra totalmente inédita de literatura fantástica (fantasia, ficção científica, história alternativa, horror, realismo mágico, etc.)
Prémio: 3000€ + Edição da Obra em Portugal e no Brasil
Data limite de candidatura: 24h do dia 6 de Julho de 2014


Opinião

Há muito tempo que se ansiava por um concurso literário dirigido exclusivamente à literatura Fantástica, em Portugal. Muitos podem perguntar o porquê desta necessidade.
Em primeiro plano, temos que ter em conta que, a Fantasia é uma secção da literatura com uma componente muito particular, que não se enquadra nos termos de avaliação das restantes obras. São obras escritas por um modelo de autores particular, dirigidas para um público específico e que devem ser avaliadas por um júri próprio.
A Literatura fantástica que, até há bem pouco tempo, se mantinha um tanto ou quanto à margem das grandes massas, tem vindo a ser fonte de crescente interesse pelas editoras nacionais. Mas, tomemos atenção aos catálogos do género. Raramente encontramos um nome português, entre os autores publicados. Falta, agora, promover a boa fantasia escrita na língua de Camões.
Deste modo, é de louvar iniciativas como o Prémio BANG!, e agradecer à Saída de Emergência por esta oportunidade.

O 100% Fantasy está atento a todas as novidades deste concurso. Fiquem atentos também.


domingo, 15 de dezembro de 2013

BranMorrighan - Entrevista a Sofia Teixeira


O blog BranMorrighan, de Sofia Teixeira, apresenta-se, atualmente, como um dos mais prestigiados blogs culturais nacionais, dentro do seu género.
Um espaço diversificado, que alia na perfeição a familiaridade de linguagem de um blog pessoal com o rigor e a atualidade de toda a informação e opiniões divulgadas.
As cerca de 570.000 visitas e o 1º Prémio na Categoria Cultural do Concurso Blog do Ano 2012, comprovam a importância que este projeto adquiriu em apenas 5 anos de existência.
A componente mística e fantástica está presente nos mais pequenos pormenores, tornando a sua leitura um prazer especial para os amantes do género. Mas, desenganem-se aqueles que pensam que o BranMorrighan é só para os amantes de fantasia…

O 100% Fantasy aproveitou a comemoração do 5º aniversário do BranMorrighan, no presente mês de Dezembro, para conversar com a sua fundadora e saber um pouco mais sobre este projeto. 



Entrevista



BranMorrighan é a conjugação de dois deuses celtas representados por um mesmo símbolo – o corvo. Surgem numa altura da minha vida em que o blog não era mais do que uma espécie de depósito de pensamentos e em que eu estava bastante envolvida no estudo da mitologia celta e no descobrimento do druidismo. Morrighan é, essencialmente, a deusa guerreira celta e o corvo o mensageiro dos deuses. Dada a minha personalidade e o conteúdo do blog da altura, pareceu-me adequado e lá ficou até hoje.



A evolução foi inesperada e ao mesmo tempo natural. Lembro-me de que no Verão de 2009 li uma quantidade de livros acima do normal e achei que seria engraçado falar deles no blogue. Alguns eram de autores portugueses e quando decidi pesquisar sobre eles constatei que havia muito pouco na blogosfera sobre escritores mais desconhecidos e dessa curiosidade acabou por explodir toda a dinâmica das entrevistas com autores, parcerias com editoras e intervenções no mundo literário. Desde então o blogue já passou por várias fases, mas nunca esteve tão completo e tão ao meu gosto como agora. Hoje em dia não só promovo a literatura nacional, como também o teatro e a música, fazendo um comentário ou outro de vez em quando sobre adaptações cinematográficas de obras literárias.
Sinceramente tudo aconteceu um pouco fora do meu controlo, mas quando as oportunidades surgem, eu abraço-as e neste momento sinto-me com o mesmo entusiasmo que tinha quando iniciei o blog, já lá vão quase cinco anos.



É verdade, são áreas completamente distintas, mas das quais não consigo passar sem durante muito tempo. Nas áreas da literatura e música torna-se menos difícil estar a par da atualidade graças aos comunicados de imprensa por parte de editoras literárias e dos promotores musicais. Claro que há imenso trabalho da minha parte em termos de descoberta de novos autores e músicos, contactos que são constantemente estabelecidos, mas o facto de receber e-mails constantemente, ajuda. Na área do cinema já não é tão fácil e vou-me restringindo então às adaptações de livros ao grande ecrã. 



O primeiro autor a ser entrevistado nem sequer foi entrevistado, por assim dizer! Lembro-me tão bem como se fosse hoje. Foi com o Fábio Ventura, uma conversa por e-mail em que lhe pedi que me falasse dele, sobre ele, a sua escrita e projetos. O texto estava tão estruturado que decidi separar por tópicos e transformar num modelo de entrevista. Ele aceitou e foi a partir desse momento que decidi ir à procura de mais autores menos conhecidos e entrevistá-los. Claro que desde então já entrevistei desde jovens autores desconhecidos a best sellers, mas nunca me vou esquecer do início tão humilde que acabou por ser a alavanca de todo o posterior sucesso do blogue nessa área.



Foram entrevistas bastante diferentes umas das outras, apesar das perguntas serem bastante parecidas. Isto porque quando se conhece pessoalmente um autor, parece que torna tudo especial. Tenho o privilégio de os conhecer pessoalmente a todos e cada uma foi especial à sua maneira.
A literatura fantástica portuguesa, na minha opinião, já esteve melhor e já esteve pior. Sinto que há uma vontade ascendente de que volte a ser um género dinâmico em Portugal através da criação de imensos projetos e a manutenção de outros. Falo do Fórum Fantástico que de ano para ano atrai cada vez mais gente, de projetos em formato físico como a Trema, a revista Bang!, etc. O público português não é vasto e ainda é um pouco preconceituoso com o que se faz em Portugal dentro do fantástico, mas eu acredito que com as pessoas e iniciativas certas isso mude. Aliás, já está a mudar.



Sim, penso que sim. Acima de tudo gostaria de levar o que é nosso lá para fora, tanto a nível literário como musical. Gostaria que através de uma maior interação entre o nacional e o internacional, a cultura portuguesa fosse levada além fronteiras.



Excelente. Posso considerar-me uma autêntica sortuda. A pessoa que decidiu aceitar o desafio de criar o novo template do blog, o Nuno, abraçou o projeto com um entusiasmo sem igual e juntos fomos tornando um desejo meu em realidade. O BranMorrighan sempre foi diferente de todos os blogues do género, mais escuro, mais sombrio. Penso que com esta mudança ele conseguiu manter toda a personalidade, mas com um tom mais sóbrio, mais luminoso, mais real. Os leitores têm adorado e posso acrescentar que desde então chegaram ainda mais propostas para colaborações, principalmente do mundo da música.



Não tem sido nada difícil, dado que ela tem estado pouco presente, infelizmente. Espero que a seu tempo ela possa colaborar mais. Temos gostos e filosofias parecidas e ao mesmo tempo distintas. Na minha ótica tem tudo para correr bem.



O contributo vem essencialmente nas facilidades que me proporcionam em termos de acesso a obras. Com o boom dos blogues literários essa facilidade decresceu imenso, mas ainda assim quando peço algum livro para opinião no blogue, a resposta é maioritariamente positiva. Têm sido um apoio fundamental principalmente porque sem estas parcerias provavelmente não conseguiria ler em tanta quantidade.



O blogue proporcionou-me tantas alegrias que é-me difícil nomear uma. Perdoem-se ser abrangente, mas penso que as maiores alegrias que me tem proporcionado são as concretizações de amizades, de interações com autores, músicos, artistas. A gratidão que espelham pelo meu contributo para a sua divulgação. Penso que acima de tudo o blogue vale a pena por isto mesmo, pelas pessoas.



Essa é fácil – plágio. Penso que é o pior que alguém pode obter por todo o seu esforço e dedicação. Ser-se plagiado sem qualquer tipo de referência.



Ai que a resposta está-me na ponta dos dedos, mas ainda assim não posso falar sobre isso! Pode ser que se concretize pode ser que não, mas é melhor não levantar já expectativas.



Ser mais e melhor. Chegar mais longe. Levar do virtual para o real. Posso adiantar em primeira mão que para além de querer manter a qualidade de conteúdos virtuais vou, pela primeira vez, realizar um evento, já em Janeiro, em que tentarei levar toda a filosofia do BranMorrighan para o mundo real. Com autores, pessoas experientes no mundo da edição, músicos, iniciativas de escrita, etc. Este é o meu maior e mais ambicioso projeto neste momento. A partir daqui só o tempo dirá.


A Sofia conseguiu deixar-nos mesmo curiosos! Aguardamos com muito entusiasmo pelas novidades. 

O 100% Fantasy agradece a colaboração da Sofia e deseja-lhe muitas felicidades e muito sucesso para o BranMorrighan.

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Fontes:
Blog BranMorrighan - http://www.branmorrighan.com/

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Brevemente... Bran Morrighan


Entrevista exclusiva a Joana Teixeira, autora do blog:


Agucem a curiosidade, pois teremos um post cheiinho de surpresas e novidades.

domingo, 17 de novembro de 2013

Sandra Carvalho - A Saga das Pedras Mágicas


Sandra Carvalho
  

“Existe uma recordação que guardarei enquanto viver: o rosto de uma menina, refletido na superfície da água, com os longos cabelos negros e encaracolados caindo sobre as faces rosadas, os olhos brilhando mais do que as estrelas e o sorriso denunciando uma felicidade que só a inocência pode conceber.” Assim começa a aventura que Sandra Carvalho imaginou e pela qual os leitores se apaixonaram.


A autora da Saga das Pedras Mágicas nasceu a 29 de Junho de 1972, em Sesimbra, no seio de uma família de pescadores. A escritora diz ter crescido rodeada por livros e pelas histórias da mãe, apontando como um dos dias mais felizes da sua vida, aquele em que descobriu a biblioteca.

Sandra teve o seu primeiro livro “A Última Feiticeira” editado em Abril de 2005, como uma aposta da Editora Presença, sendo a primeira autora portuguesa a figurar na coleção Via Láctea, junto de outros ilustres autores de Fantasia. Desde então, somam-se às muitas críticas positivas, mais 7 livros e uma legião de fãs por todo o país.
O seu mais recente livro “A Sombra da Noite Branca”, publicado em a 7 de Maio de 2013, é também, o último livro da saga, que apresentou Sandra Carvalho aos leitores.


A Saga das Pedras Mágicas é composta por oito volumes e um enredo complexo. A história desenrola-se no seio de uma família celta e é contada pelas mulheres de três gerações diferentes. 

A Saga das Pedras Mágicas 




 





  

Relativamente à escrita da autora, o blog Morrigham, na sua revisão do livro “O Guerreiro Lobo”, diz: “A escrita da autora é bastante intensa nas descrições dos sentimentos e prende-nos do início ao fim.”
Numa entrevista ao Jornal do Barreiro em 2012, Sandra disse: “A minha escrita é instintiva e apaixonada. Se o mergulho no imaginário me faz rir ou chorar, ter ataques de fúria ou suspirar de ternura, o meu desejo é que essas emoções se transformem em palavras (…)”.


Sabemos que Sandra valoriza o contacto e a opinião dos seus leitores. Assim, o 100% Fantasy chegou à conversa com as administradoras dos Blogs mundosandrasarvalho.blogspot.com e fanficsandracarvalho.blogspot.com Soraia Viegas e Sara Costa, e com a sua colaboradora Jéssica Reis. 


Contem-nos como foi a vossa primeira experiência com a obra da Sandra Carvalho.





  Sabemos que a saga é contada pelas mulheres de 3 gerações diferentes. Como descreveriam cada uma delas?

A Catelyn será nossa eterna "Pequena", a menina curiosa, a apaixonada, a mais sábia.
A Edwina é a “Rainha do Sol”, a mais irreverente e obstinada, soberba, mas no entanto, a mais atormentada delas três, na nossa opinião.
A Kelda é a nossa “Menina-Feiticeira” endiabrada, destemida, sonhadora, uma lutadora e à semelhança da avó Catelyn, detêm um enorme sentido de justiça e compaixão, é muito curiosa e observadora e tem igualmente um humor nato na narrativa dos acontecimentos.

Se pudessem descrever a Saga das Pedras Mágicas numa única frase, qual seria?

É difícil descrever esta Saga numa única e simples frase, porque são muitos os adjetivos que nos vêm à cabeça quando o nome surge. A Saga é muito mais do que uma narrativa bem conseguida, com um enredo maravilhosamente bem descrito e um conjunto de personagens de caracterização soberba, que tanto nos fazem rir à gargalhada como chorar em sintonia com elas, nas suas vitórias ou nas suas derrotas. Ou histórias de amor de nos fazer corar até às orelhas e intrigas de nos fazer arrancar os cabelos do couro! Qualquer um de nós se consegue identificar com algum acontecimento em particular no decorrer da história que nos faça refletir e pôr em causa muitas das nossas crenças. Porque apesar de se tratar de uma literatura fantástica, podemos facilmente encontrar em nós ou no nosso grupo de “amigos” uma Catelyn, uma Edwina ou uma Kelda ou uma outra personagem qualquer e às tantas repararmos que certos acontecimentos da sua história podiam perfeitamente acontecer-nos ou talvez até já tenham ocorrido nalgum momento das nossas vidas. A Saga descrita numa única frase seria: "Uma viagem a um mundo repleto de magia
e romance, uma viagem só de ida" (Soraia Viegas). Na vida precisamos de coragem, fé, amor e nunca esquecer o poder que as nossas decisões têm no caminho que percorreremos até encontrarmos por fim o nosso destino.

Qual a vossa opinião relativamente a “Sombras da Noite Branca”, último livro da saga?

O oitavo e último volume da Saga das Pedras Mágicas: “Sombras da Noite Branca” foi em todos os aspetos uma caixinha de surpresas. Todos eles foram, mas obviamente que o último livro teria de o ser inevitavelmente! A Sandra Carvalho habituou-nos desde sempre à sua forma romântica e sensual de descrever os momentos mais arrojados da Saga, mesmo as cenas mais eróticas e violentas, mas neste livro notamos uma maior abertura a esse nível. Desde logo com as cenas iniciais do prólogo.
Outro aspeto que sobressaiu neste livro é que nós temos um vilão com V grande: tirano, ganancioso, obsceno, frio, um assassino implacável, capaz das maiores atrocidades para atingir os seus objetivos e sem mostrar o mínimo de misericórdia, ou seja, maquiavelicamente perverso e louco em todos os sentidos, que nos faz arrepiar da ponta dos pés até à ponta dos cabelos cada vez que entra em cena! Em contrapartida, vemos a
rendição de personagens que jamais pensámos que pudessem passar para o lado oposto da contenda, acabando por serem eles os heróis da trama. E pela primeira vez, vemo-nos confrontadas com a hipótese da protagonista não vir a ser assim tão “boazinha” como as anteriores… Podendo até passar para o lado dos “maus da fita”. É entusiasmante! No geral, achamos que o final foi bastante satisfatório, dada a miríade de coisas que tinham ficado entreabertas e por resolver dos livros anteriores. Pensamos que a Sandra Carvalho conseguiu manter-se leal ao seguimento da história e ainda deixar-nos com a curiosidade a remoer-nos por dentro para eventuais desenvolvimentos de histórias secundárias da Saga das Pedras Mágicas. Quem sabe?

Soraia: Bem, vou começar pelo início. Aviso já que contem spoilers do último livro: Achei aquela parte inicial do livro simplesmente "deliciosa", vemos mais uma vez Halvard a mostrar até onde vai a sua crueldade e a sua ousadia, para não falar da cena do Lysander com a Oriana, que me deixou boquiaberta, o início do livro prendeu-me logo por completo. O livro no geral conseguiu cativar-me como os anteriores, foi intenso do princípio ao fim, só achei que ao longo do livro as atrocidades cometidas por Halvard já não me surpreendiam, às tantas dei por mim a já não sentir “dor” no decorrer dos acontecimentos. Quanto ao desenvolvimento que a história tomou acho que se desenrolou de forma perfeita. Achei a mudança do Lysander um tanto repentina o que por outro lado serviu como uma grande surpresa para todos! Por fim quanto à Kelda ressuscitar passado tanto tempo, eu percebi a necessidade de passar muito tempo para o Sigarr se esquecer dela e ir em frente com a vida dele, mas também foi um choque muito grande. Em suma, a Sandra conseguiu surpreender mais uma vez pela positiva e fazer algo que ninguém estava a espera! A única coisa que me deixou a desejar foi apenas a frase final: "A saga das pedras mágicas chegou ao fim".  De resto a Saga chegou a um desfecho conclusivo, deixando também algumas deixas para a nossa imaginação completar.

Sabemos que a autora recebe muitos pedidos para, no futuro, voltar às histórias secundárias da saga e explorá-las mais profundamente. Gostariam de ver desenvolvida alguma história em particular?

É óbvio que gostaríamos de ver esmiuçadas algumas histórias secundárias, nomeadamente algumas personagens que passaram um tanto despercebidas ao longo da narrativa desta Saga, como o caso da Evalyn, a irmã do Thorson que nos aparece de surpresa no final das “Sombras da Noite Branca”. Afinal porque é que ela nasceu sequer? O que é que ela andou a fazer nesse tempo todo? Pelo que percebemos, ela andou a viajar por outras terras. Seria interessante saber que terras foram essas e as aventuras que ela possa ter tido.
Mas aquele personagem que definitivamente suscitou o nosso interesse e curiosidade foi o Sigarr! É caso para dizer, queremos mais Sigarr! Gostávamos de ver alguns acontecimentos da história narradas sobre a sua perspetiva e claro, de saber o que é que ele andou a fazer durante aquele tempo todo em que teve desaparecido após o Edwin ter herdado o legado da Lágrima da Lua até ao rapto de Halvard e até treinar a Kelda. Que destino lhe estará reservado após a Saga das Pedras Mágicas? Ficará ele na companhia de Gaya e Narkissus a viajar pelo mundo? Esquecerá ele alguma vez Aranwen? E o que realmente aconteceu entre eles e no tempo em que eles viviam na Ilha Sagrada? Tantas questões!
Outro assunto seria ver o romance da Kelda e do Lysander mais desenvolvido, pois penso que eles não tiveram o destaque merecido no final. Talvez muito por culpa de ser o último livro com tanta coisa ainda por responder, que a história deles acabou por ser negligenciada em prole disso. Mas também, penso que é algo que nós podemos muito bem imaginar como será. Outros pormenores ficaram ainda a pairar no ar, nomeadamente quanto ao fim das pedras mágicas da Feiticeira Arawen, será que a Kelda realmente as destruiu ou não? A descrição da cena no epílogo das “Sombras da Noite Branca” deixa a dúvida… Nós gostamos de pensar que por algum motivo foi! Mas a par disso, o que quer que seja que a Sandra esteja a engendrar para o futuro irá surpreender de certeza.


Encontraram, recentemente, a autora na Feira do Livro de Lisboa. Como foi a experiência?

A Soraia conheceu a Sandra pela primeira vez em Linda-a-Velha e na altura, ela foi a única presente. Hoje em dia, já temos que estar lá antes da hora, senão queremos esperar na fila! Um encontro com a Sandra Carvalho, por mais curto que possa ser é sempre recompensador. A autora demonstra sempre muito carinho e disponibilidade para ouvir os leitores e tem sempre um sorriso e uma palavra amiga para nos receber e isso claro, incentiva-nos na abordagem. Nas primeiras vezes é sempre mais difícil libertar-nos da chata “timidez”, mas nesta última Feira do Livro em Lisboa que sucedeu o final da Saga das Pedras Mágicas, penso que tornou a experiência mais divertida, pois desta vez encontrávamo-nos com um grupo maior de pessoas que nos acompanharam e a partilha de emoções e de opiniões com a escritora acabou por ser uma experiência gratificante em todos os aspetos, porém, ela não nos revelou nada sobre futuros projetos. Aliás, foi interessante observar mais uma vez, que o número de pessoas que lêem a Saga tem vindo a aumentar. Lembro-me de no início ser apenas eu e a Soraia e umas três ou quatro pessoas e de feira em feira, alegra-me verificar que são cada vez mais as pessoas que procuram ler e conhecer esta aventura.

Falem-nos um pouco dos blogs “O Mundo Sandra Carvalho” e “FanFics Sandra Carvalho”.


Sabes o que é ler um livro, chorar, rir, sentir aquela revolta toda, aquelas cócegas na barriga e um enorme nó na garganta? Acabas de sentir tudo isso e sentes uma vontade incontrolável de partilhar com alguém, dizeres o que pensas, o que achas que vai acontecer. Resumindo, foi isso que aconteceu. Nós tivemos essa necessidade enorme de partilhar o que estávamos a viver com esta aventura e foi aí que surgiu a ideia de criar o blogue Mundo Sandra Carvalho, só queríamos falar com pessoas que também lessem os livros da Sandra Carvalho. A Soraia passava o tempo a meter-se com as pessoas e a dizer-lhes para lerem a Saga das Pedras Mágicas, aliás foi assim que  a nossa amizade começou.
Tudo começou por ser uma brincadeira. Foi a Soraia que teve a ideia de criar um blogue onde pudesse exprimir e comentar a sua opinião sobre a Saga das Pedras Mágicas, na esperança que tal como ela, aparecessem mais pessoas que partilhassem do mesmo interesse e originassem um debate sobre a obra. A Saga das Pedras Mágicas a par do fabuloso e insaciável imaginário da sua autora é ainda ilustrada pelo artista Samuel Santos e a capa vende! O primeiro contacto que o leitor tem com o livro é exatamente a capa. Não seria a primeira vez que ouviria alguém dizer que começou a ler a Saga das Pedras Mágicas porque a capa o cativou. E agora citando uma frase que a própria Sandra Carvalho nos disse: “A propaganda boca a boca é a melhor publicidade que os livros podem ter.”, afinal de contas foi por isso mesmo que embarcamos neste projeto.
Agora que já contamos com um número bastante razoável de seguidores, a exigência aumenta. O blogue Mundo Sandra Carvalho passou a ser o palco central das principais notícias e novidades que vamos tendo acerca da obra da escritora e a página de discussão sobre os seus livros. Por isso mesmo, o nome é Mundo Sandra Carvalho e não Saga das Pedras Mágicas, por exemplo. O blogue tem por objetivo base acompanhar toda a obra da escritora, não só a Saga, mas também os futuros projetos que ela possa vir a concretizar.
Quanto ao blogue de Fanfics é fácil imaginar o porquê de o termos criado. Este espaço é dedicado exclusivamente à partilha de conteúdo designado por Fandom, isto é, fan mades como pequenas histórias ou continuações fictícias da obra original (as tais fan fictions, daí o nome), a partilha de música, desenhos entre outros tipos de Fan art com o objetivo de dar vida à Saga das Pedras Mágicas nas diferentes perspetivas que os leitores possam ter da mesma. O blogue tem por objetivo dar liberdade de expressão aos fãs desta aventura, para que eles possam criar e recriar o mundo imaginário da Saga tal como eles imaginam e assim estabelecer um contacto mais próximo entre os interessados.


Têm algum novo projeto em mente, dentro do vasto mundo de fantasia que é a obra de Sandra Carvalho?

Soraia e Sara: Neste momento e dado o fim da Saga das Pedras Mágicas, tem-nos sido difícil incrementar mais atividade nos blogues nestes últimos tempos, mas ideias é o que não nos falta! Para já temos o objetivo de melhorar o espaço web de ambos os blogues e inclusive, se possível, expandir a rede de partilha de informação através da elaboração de uma página que nos permita criar uma storyline dos livros, com as respetivas árvores genealógicas, uma vez que a lista de personagens envolvidas é extensa e tentar de alguma forma conceptualizar palavras-chave e nomes muitas vezes referidos ao longo da história e que são importantes para a compreender. Uma espécie de Wikipédia da Saga das Pedras Mágicas para a qual esperamos poder contar com a colaboração de todos os leitores e fãs da mesma. O objetivo é tornar o blogue o mais interativo possível com os leitores.



O 100% Fantasy agradece a colaboração da Soraia, da Sara e da Jéssica. 
Esperamos, ainda, poder contar com mais novidades da Sandra Carvalho, em breve. 


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Fontes: 
Editora Presença - http://www.presenca.pt/autor/sandra-carvalho/
Editora Presença Entrevista - http://www.presenca.pt/editorial/escritora-sandra-carvalho-em-entrevista/
Blog Mundo Sandra Carvalho - http://mundosandracarvalho.blogspot.pt/
Blog FanFics Sandra Carvalho – http://fanficsandracarvalho.blogspot.pt/
Blog da autora - http://sandracarvalho-autora.blogspot.pt/
Blog Morrighan - http://www.branmorrighan.com/2010/04/sandra-carvalho-escritora-portuguesa.html
http://www.branmorrighan.com/2012/08/opiniao-o-guerreiro-lobo-saga-das.html
Jornal semanário do Seixal e Sesimbra - http://jornalcomerciodoseixalesesimbra.wordpress.com/2011/04/06/encontro-com-a-escritora-sandra-carvalho-em-sesimbra/
Blog As Leituras do Corvo - http://asleiturasdocorvo.blogspot.pt/search?q=Sandra+Carvalho
Site BiblioESA  - http://esabcr.blogspot.pt/2010/05/escritora-sandra-carvalho.html
Blog Livreo - http://livreo.blogspot.pt/2010/05/literatura-fantastica-conhece-neste.html
Blog Mónica Almeida - http://monicalmeida.blogspot.pt/2007/03/sandra-carvalho-uma-escritora-de-magias.html





quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Brevemente - Sandra Carvalho - A Saga das Pedras Mágicas

Brevemente

Sandra Carvalho – A Saga das Pedras Mágicas. 
Entrevista exclusiva com as administradoras dos blogs Mundo Sandra Carvalho e FanFic Sandra Carvalho. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Carla Ribeiro - Parte II

No passado mês de Setembro, estivemos à conversa com a escritora Carla Ribeiro 

Carla Ribeiro - Parte I - Entrevista com a escritora

Desta vez, o 100% Fantasy foi falar com um amigo dos tempos universitários da escritora.

Alexandre Triguinho, 25 anos, Fafe, Médico Veterinário



“ A minha primeira experiência com a obra da Carla foi com o Alma de Fogo, da trilogia Os Arasen, em que ela me pediu para ler e dar a minha opinião. Gostei muito na altura. Notava-se que era algo bastante pessoal. A personagem principal era alguém com quem ela se identificava bastante, e quando escrevia sobre ela, penso que, na realidade, ela estava a escrever sobre ela própria, até certo ponto.

Desde então, e por na altura ser um amigo próximo dela, fiquei muito ligado a essa trilogia. Tanto que, na segunda e terceira obra dessa trilogia, aparece uma personagem baseada em mim (Xander Delaian).
Também participei em lançamentos de alguns dos livros desta trilogia, fazendo representações dramáticas de algumas passagens dos livros.

Os livros que li dela, foram os 3 da trilogia Os Arasen e o Estrela Sem Norte. São estilos muito diferentes, mas em todos se nota muito da personalidade da Carla. Penso que isso é a sua característica mais marcada. Escrever sempre se uma forma muito pessoal, muito introspetiva. Os seus livros refletem quem ela é.
Aproveito esta oportunidade de enviar à Carla os meus parabéns pelo percurso que já percorreu desde aqueles primeiros treinos para o lançamento do Alma de Fogo, na casa do Nuno e do Xico, e espero que ela continue a acreditar nela própria.”


O 100% Fantasy agradece a participação do Alexandre Triguinho e espera ter novidades da Carla, em breve. 


Fontes (Carla Ribeiro parte I e II):


domingo, 22 de setembro de 2013

Carla Ribeiro - Parte I - Entrevista com a escritora


Aqui está uma imagem que deixa qualquer amante de livros simplesmente em delírio. E sabem a quem pertence esta estante de invejar? Pois bem, esta é, apenas, parte da coleção pessoal de livros da escritora convidada de Setembro, do 100% Fantasy: Carla Ribeiro




Com apenas 27 anos, a Carla conta com a publicação de mais de uma dezena de obras individuais, e ainda com várias parcerias com outros escritores e participações em antologias literárias.

A Carla é ainda a administradora de diversos blogs, dos quais se destaca “As Leituras do Corvo”. Blog de referência no mundo literário nacional, sendo as suas críticas mencionadas por prestigiadas editoras.



Da extensa lista de publicações fazem parte títulos como: Herdeiros de Arasen, Canto da Eternidade, O Deus Maldito, e Senhores da Noite.

O 100% Fantasy chegou à conversa com a Carla Ribeiro, que prontamente nos concedeu uma entrevista. 



Entrevista

Começaste a escrever com apenas 14 anos.
O que escrevias e em que é que te inspiravas nessa altura?
Eu penso nos 14 anos como o início de tudo, porque foi o meu ponto de viragem. Já me sentia puxada para a escrita antes e já tinha feito algumas coisas, mas foi por essa altura que comecei a viver a sério o impulso da escrita, a vê-la como o meu refúgio e a minha compulsão. Também foi nessa altura que comecei a participar em iniciativas, a mostrar os meus textos a pessoas mais ou menos próximas, a ponderar projectos concretos. Comecei a escrever pequenos contos, mais ou menos fantasiosos – e, sim, alguns eram um pouco improváveis. E poesia. Muita poesia. Mas essa é uma companheira que me segue – ou que sigo? – desde sempre. 

Sabemos que arrecadaste prémios em vários concursos literários em Portugal e no Brasil. 
Lembras-te do primeiro prémio que ganhaste?
Lembro-me dos primeiros, sim. Ainda tenho uma memória particularmente vincada do prémio Douro Leituras e de ter de escolher material num determinado valor – livros, cds, tecnologia – e da experiência que foi receber uma caixa enorme cheia de livros. Isto no tempo em que a minha biblioteca pessoal era pequenina. E lembro-me daquela emoção especial de sentir algum valor para as minhas palavras, para além do que tinham para mim. Foi, e continua a ser, um imenso conforto e um grande estímulo.

Numa entrevista ao Blog Morrighan, em 2010, eleges como Mestres, Edgar Allen Poe e William Shakespeare, e como inspirações mais contemporâneas, Anne Bishop e Marion Zimmer Bradley.
Qual ou quais as tuas obras favoritas?
 Ah, é complicado escolher obras favoritas, quando há tantos livros que amo e que gostaria de referir. Mas, e para que os leitores não se cansem de mim, vou limitar-me aos mestres de então, e a mais algumas leituras marcantes. De Poe gosto de tudo, mas tenho um carinho especial pelo conto The Masque of the Red Death. Tem tudo o que eu aprecio numa história. De Shakespeare, tenho de destacar uma das peças menos citadas, mas que nunca deixa de me impressionar, Titus Andronicus. Anne Bishop é a minha autora favorita e tudo o que seja do mundo das Jóias Negras tem um lugar especial no meu coração. E da Marion Zimmer Bradley é inevitável citar As Brumas de Avalon. Mas a estes livros de sempre, gostaria de acrescentar outros favoritos incondicionais, como a saga Kushiel, da Jacqueline Carey, A Dança de Pedra do Camaleão, do Ricardo Pinto – ainda me parte o coração lembrar-me de alguns momentos dessa trilogia! – e a trilogia A Árvore do Céu, da Edith Pargeter. Todos estes foram livros que me falaram à alma. E que me fazem sentir pequenina ante a mestria dos seus autores.

O teu primeiro livro “Estrela Sem Norte” foi publicado em 2005, pela Corpos Editora.
O que sentiste no momento em que tiveste o teu primeiro livro nas mãos?
É mágico. Olhar para ele, tocar a capa, as páginas. Olhar outra vez e pensar “Está aqui. Fui eu. É meu. Está mesmo aqui”. Não há outra forma de o descrever, para mim, senão como uma magia maravilhosa.

O teu mais recente livro intitula-se “Senhores da Noite” e foi publicado em 2010 pela Fronteira do Caos.
Fala-nos um pouco sobre esta obra.
Bem, o Senhores da Noite é um caso muito particular no meu imaginário. É que eu tenho uma tendência especial para me sentir atraída por personagens do lado dos bons – heróis, mártires, inocentes injustiçados, gente deste género – e isso reflecte-se no que eu escrevo. O Senhores da Noite nasceu da ideia de contrariar esta tendência. Quis criar uma história em que não houvesse heróis e vilões, mas simplesmente um cenário de conflito e, em certa medida, a luta pela sobrevivência do mais forte. Daí nasceu esta história, que quis que fosse sombria, mas, mesmo assim, com sinais desse tal carácter que me atrai.

Tens obras publicadas em géneros distintos: poesia, fantasia, contos…
Existe alguma linha que seja transversal a todos os teus trabalhos?
 Não lhe chamaria propriamente uma linha. Mas escrevo de acordo com o que me fala ao coração e isso implica que o que sou e o que sinto se reflicta nas minhas palavras. Isso acaba por criar pontos em comum, de ambientes, de expressões, de traços de personalidade que se insinuam numa personagem. E isso está presente, independentemente do género em que estou a escrever.

Dizes ter uma ligação emocional muito forte com as histórias que crias.
Esse apego emocional já alguma vez te fez mudar o destino que tinhas previamente traçado para uma personagem ou grupo de personagens?
 Normalmente, não acontece. Tendo em conta a tal tendência que eu tenho para heróis e mártires, não é muito provável que eu venha a poupar uma personagem, por mais que isso me parta o coração. E parte, às vezes, quando, na minha cabeça, vivo a vida da personagem como se fosse minha. Mas pequenas mudanças de percurso… Isso sim, tende a acontecer. Há alturas em que parece que eles ganham vida. E a história vai para onde tem que ir.

Como é a tua relação com os teus fãs?
 Discreta. Quem me conhece sabe que eu sou um pouco insegura e é preciso muito pouco para condicionar os meus estados de espírito relativamente à escrita. Por isso, normalmente não acompanho muito as opiniões que vão surgindo, a não ser que mas façam chegar directamente. Mas ando por aí, por esse cibermundo fora, e estou sempre disponível para satisfazer a curiosidade de quem quiser saber mais sobre as minhas histórias.

Como descreverias “O mundo Carla Ribeiro”?
 Um lugar estranho. Com muitas histórias por contar, muitos lugares inesperados e algumas pessoas imaginárias interessantes para conhecer. Ah, e também um mundo de musas erráticas, silêncios interiores e alguma esperança. Sempre alguma esperança.

Projetos para o futuro?
 Acabo de sair de um hiato de alguns meses sem escrever e de uma percepção renovada de que não sou eu sem contar as minhas histórias. Por isso, projectos não me faltam. Estou a trabalhar num novo romance, tenho um conjunto de contos terminados a que gostaria de acrescentar mais alguns e um outro romance – e alguma poesia – na gaveta. Planos de publicação? Não é coisa que esteja apenas nas minhas mãos. Não sei o que virá. Mas quanto ao resto, o plano é recuperar o tempo perdido e regressar em força à escrita

O 100% Fantasy agradece a disponibilidade da Carla e deseja-lhe muito sucesso.


domingo, 14 de julho de 2013

Filipe Faria - Entrevista com o escritor


 
Filipe Faria é um contador de histórias nato. Possuidor de uma “imaginação fervilhante”, capaz de criar mundos alternativos onde a fantasia reina sem limites.
Com apenas 31 anos, soma no seu currículo, nove obras originais publicadas, dois prestigiantes prémios literários e participações, como escritor, em diversos outros projetos. É, ainda, autor aprovado pelo Plano Nacional de Leitura, com o livro “A Manopla de Karasthan”.




Obras literárias de Filipe Faria



Coleção As Crónicas De Allaryia

A Manopla de Karasthan                                         Os Filhos do Flagelo                                           Marés Negras
   (Ler excerto)                                                            (Ler excerto)                                                (Ler excerto)


Essência da Lâmina                                Vagas de Fogo               O Fado da Sombra                               Oblívio
                                                            (Ler excerto)                   (Ler excerto)                                  (Ler excerto)


 Coleção Felizes Viveram Uma Vez

                                                        O Perraultimato                  O Adersenal
                                                (Ler excerto)                (Ler excerto)

 O Filipe concedeu uma entrevista ao 100% Fantasy onde nos conta um pouco sobre o seu mundo. Sempre agradável e bem-disposto deu-nos uma perspetiva desde os seus anos no Colégio Alemão até aos dias de hoje.
Esperamos que seja do agrado dos muitos fãs e que possa ser um incentivo e uma descoberta para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de contactar com as obras deste autor. 


 
Entrevista

O Filipe ingressou muito novo na Escola Alemã de Lisboa e permaneceu lá até completar o ensino secundário. O que lhe trouxe de especial o contacto com a cultura alemã?
Uma perspetiva diferente, acima de tudo, pois a cultura alemã e a portuguesa têm muito pouco em comum. Para a minha futura carreira de autor, o mais importante foi a vivência de ter passado uma infância em dois mundos, pois uma vez atravessados os portões da escola, era como se entrasse noutro país. Falava-se Alemão, ouvia-se Alemão e as coisas pareciam funcionar de forma diferente, sobretudo aos olhos de uma criança.

Iniciou-se no mundo da fantasia literária através de Tolkien. Além do mestre do género, que outros autores tem como referência?
Tolkien continua a ser a única verdadeira referência para mim, mesmo após todos estes anos. Os outros são apenas autores de livros que gostei ou não de ler.

Diz-se um apaixonado por fantasia. O que mais o encanta neste género?
Nenhum outro género literário «puxa» tanto por mim e pela minha capacidade de reprodução mental daquilo que leio - a meu ver, um dos maiores benefícios da leitura. Por alguma razão, foi graças à fantasia que comecei a ler por iniciativa própria, pois foi esse o único género capaz de dar resposta à minha fervilhante imaginação na altura e  continua a ser para mim o mais apelativo, em virtude da sua ausência de limites e restrições.

Começou a escrever a sua primeira obra “A Manopla de Karasthan” com apenas 16 anos. Como surgiu a ideia e onde se inspirou?
É-me impossível precisar como tudo surgiu e onde me inspirei. A Manopla de Karasthan foi um culminar de toda uma infância de ideias e inspiração (comecei a tirar os primeiros apontamentos aos 12 anos) e posso listar como influências filmes, jogos, livros, documentários, banda desenhada, desenhos animados e até uma excursão fictícia a Trás-os-Montes. Daí o afamado «efeito manta de retalhos» do primeiro volume d'As Crónicas de Allaryia, porque esse livro foi em grande parte o resultado de um jovem imberbe e com uma imaginação hiperactiva a tentar meter num só livro tudo aquilo que adorava na fantasia.

Em Novembro de 2001, venceu o Prémio Branquinho da Fonseca, organizado pela fundação Calouste Gulbenkian e o jornal Expresso e no ano seguinte é o Autor Revelação na Literatura Infantil e Juvenil do Prémio Matilde Rosa Araújo. O que sente um jovem de 20 anos ao vencer dois prémios com esta importância, num tão curto espaço de tempo?
Sente-se muito bem. Eufórico, mesmo. Sente que realizou um sonho, com todas as impressões positivas que isso acarreta, e que é o melhor autor do mundo e arredores. Pelo menos durante umas semanas.

Contamos, desde 2002, com nove obras originais editadas sob a chancela da Editorial Presença, o que corresponde a cerca de um livro por ano. Qual o segredo desta fonte criativa tão produtiva?
A supra-referida imaginação fervilhante, que, salvo anos de interregno ou repouso, precisa sempre de um qualquer escoadouro. Quando era criança, inventava histórias, contava mentirinhas elaboradas e desenhava, e mais tarde descobri que a escrita era a forma mais compensadora e consistente de dar vazão aos sucos criativos.

O Filipe participou em projetos, enquadrados fora da sua área habitual de trabalho, como Leopoldina e a Ordem das Asas, O Barão foi para o Boneco, e Talismã. Quais as principais dificuldades com que se deparou?
À parte da Leopoldina - que, em virtude do seu público-alvo infantil, me obrigou a uma complicada mudança de registo - não senti qualquer dificuldade de maior. O Barão foi para o Boneco era surreal q.b. e foi um caso de inspiração fulminante, e o Talismã era uma obra de fantasia na qual as minhas palavras eram auxiliadas por desenhos. Foram todos desafios diferentes, com maiores ou menores graus de dificuldade, e cada um me deu um tipo de prazer peculiar ao ser concluído.

Depois de sete livros, a saga “As Crónicas de Allaryia” terminou com “Oblívio”. Como vive um autor o final de um longo ciclo de criação como este?
As palavras-chave aqui são «terminou» e «ciclo». Ou seja, ainda tenho mais histórias para contar em Allaryia e lá voltarei para relatar as novas aventuras dos companheiros. Logo, vivi o final deste ciclo com um misto de alívio, tristeza e entusiasmo: alívio por ter conseguido levar a cabo esta tremenda empreitada, tristeza por ter concluído um capítulo que jamais se irá repetir e entusiasmo em antecipação das histórias que ainda tenho por contar.

No passado dia 06 de Junho foi lançado no mercado o seu mais recente livro “O Andersenal” pertencente à saga “Felizes Viveram Uma Vez”. Qual a origem do título desta saga? Quais as principais diferenças desta saga relativamente às Crónicas de Allaryia?
O título da saga é uma justaposição entre as célebres frases que abrem e fecham muitos contos de fadas, "era uma vez" e "viveram felizes para sempre". O seu significado torna-se evidente quando o leitor depara com um mundo em que existe uma noção implícita de que as personagens dos contos de fadas viveram felizes certa vez, mas agora decididamente não é esse o caso, pois todas as histórias parecem ter acabado mal por um qualquer motivo. Resta a cinco eleitos - cinco personagens conhecidas e menos conhecidas do público em geral, que se vêem unidas por um irresistível propósito que desconhecem - a inglória tarefa de descobrirem o que se passou, quando algumas delas nem acreditam que algo se tenha passado. Talvez o destino das histórias sempre tivesse sido o de acabarem mal, e num mundo em que a maldade parece imperar, essa realidade torna-se difícil de negar.
Em relação àquilo que diferencia Felizes Viveram Uma Vez das Crónicas de Allaryia, talvez seja mais simples listar as semelhanças entre os dois: são ambos séries de fantasia, e tanto um como o outro relata as aventuras de um grupo enquanto este viaja por um mundo fantasioso fora. As parecenças acabam aí, contudo, sendo que a principal distinção é o facto de que Allaryia era um mundo habitado por personagens de minha inteira criação, ao passo que o mundo de Felizes Viveram Uma Vez é um universo partilhado em que as personagens dos contos de fadas da nossa infância coabitam.

Projetos para o futuro?
Estou ligeiramente indeciso. Após quinze anos de disciplina e consistência inabaláveis, não queria agora tornar-me num salta-pocinhas literário, mas a verdade é que, enquanto escrevia Allaryia, ia tendo uma série de ideias que fui arquivando à medida que os anos iam passando. Uma delas era, precisamente, o Felizes Viveram Uma Vez, mas nesta altura sinto-me criativamente puxado em diversas direções, incluindo um certo volume de interregno que tinha planeado para servir de «ponte» entre os ciclos de Allaryia. A prioridade será concluir o Felizes Viveram Uma Vez, evidentemente, mas sinto que estou à beira de uma fase de rutura com o meu modus operandi de fazer apenas uma coisa de cada vez - porventura uma versão literária da crise de meia-idade. Felizmente, os volumes de Felizes Viveram Uma Vez são pequenos (pelo menos quando comparados ao padrão allaryiano), o que me dá outra margem de manobra e talvez possa facilitar todo o processo. A ver vamos.


O 100% Fantasy gostaria de agradecer toda a disponibilidade prestada pelo escritor Filipe Faria e desejar-lhe muito sucesso. 

Fontes:
http://www.presenca.pt/autor/filipe-faria/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Filipe_Faria
http://www1.ionline.pt/conteudo/110712-filipe-faria-sozinho-construiu-um-mundo-e-vendeu-60000-livros
http://portalivros.wordpress.com/2013/06/16/filpe-faria-lanca-o-andersenal-livro-2-de-felizes-viveram-uma-vez/
http://www.branmorrighan.com/2010/03/filipe-faria-escritor-portugues.html
http://correiodofantastico.wordpress.com/category/autores-portugueses/filipe-faria/
http://www.outrapresenca.com/index.php?option=com_content&task=view&id=59&Itemid=6
http://www.branmorrighan.com/2012/05/entrevista-filipe-faria-inicio-da-serie.html
http://asleiturasdocorvo.blogspot.pt/2013/06/o-andersenal-filipe-faria.html